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O CORAÇÃO LUSÍADA DE RAQUEL NAVEIRA

Gabriel Kwak

Cognominada de “musa de Campo Grande” pela acatada Ely Vieitez Lisboa, a escritora e mestre em Comunicação e Letras, Raquel Naveira, pertence a uma espécie de aristocracia do espírito. Com este seu novo livro Sangue Português: Raízes, formação, lusofonia (São Paulo: Arte & Ciência, 2012), a diretora da UBE passa em revista suas raízes, antigos e consistentes laços que irmanam Brasil e Portugal. Infensa a modismos, Raquel é uma colecionadora de imagens afetivas, o que faz ao nos conduzir pela mão a um passeio pelos fastos históricos de nossa Pátria-mãe. Para tais evocações, Raquel se mostra sempre agarrada a acuradas e seguras pesquisas dos Anais de Portugal. O leitor vai se regalar com o néctar da poesia insinuante de Raquel, ao tanger sua lira evocando Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste...

Guardei os versos poderosos que dedicou ao Castelo da Pena, na Serra de Sintra. Concebido pelo rei consorte D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885), genro de D. Pedro I, trata-se de um ícone arquitetônico do Romantismo. Raquel canta seus mirantes, sua torre de corais e nos endereça à desdita da rainha D. Amélia, mulher do falecido rei Carlos I (assassinado em 1908), que deixou o Palácio e partiu para o exílio, com a derrocada do regime monárquico:

“Castelo da Pena,

Tem pena do meu penar,

Quem poderá me salvar do meu destino?

Nem teus arcos,

Teu relógio avançando séculos,

Nem este colossal Tritão,

Meio peixe,

Meio homem,

Sustentando o mundo

Com a mão.”

De casta equivalente são os notáveis versos de “Mosteiro dos Jerônimos”, concernentes à imponente construção em estilo manuelino, da Ordem de São Jerônimo. Mais uma vez, muito me dizem o estro e o olhar enternecido da viandante Raquel Naveira. In verbis:

“No mosteiro dos Jerônimos

Passei as mãos

Nas pedras,

Nos portais,

Nas pias,

Nas pilastras,

Na poeira dos túmulos

E senti a pólvora,

A poesia de Camões e Pessoa,

A prosa de Alexandre Herculano.

 

Tudo tão pomposo,

Sepultura de reis,

Fios de pérolas

Pelo teto

Em pentagrama

E uma estrela

Na penumbra. [...]”

 

Neta de imigrantes portugueses, Raquel Naveira ainda excele na sua devoção ao patrimônio cultural lusitano ao comandar e orientar rodas de leitura, colóquios e oficinas no tradicional Clube Português, em São Paulo. Ao celebrar personagens da história de Portugal e cultivar o legado de Camões, Bocage e Florbela Espanca, Sangue Português representa uma festa do mundo lusófono, que tranquilamente já exorbitou das oito Nações que abraçaram o português como língua oficial. Ao fim da leitura convidativa, todos nós nos sentimos um pouco mais filhos de Portugal. Tudo, nesse livro da peregrina Raquel Naveira, é interessante. É um diário emocional fascinante que se recomenda ao reconhecimento do leitor.

Na foto abaixo, entre duas autoras: Dirce Lorimier Fernandes e Raquel Naveira

E



Escrito por gabriel às 11h41
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