Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 Sete Doses
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Juvenal Pereira - Caxiúna
 Ju Taliberti
 Paulo Schmidt
 F. Vives
 Rodrigo Miotto
 Cris Casagrande
 Domingos Oliveira
 Eugênia Zerbini
 Caetano Veloso
 Marcelo Coelho
 Marcelo Katsuki
 Prof. Fernando Jorge
 Silvana Salles
 HÉLIO FERNANDES
 JOTABÊ MEDEIROS (ESTADÃO)
 Editora Topbooks
 Augusto Nunes
 Chico Anysio
 Caio Liudvik
 Mary Moon (MTV)




Senador manda brasa
 


SERVINDO BEM, PARA SERVIR SEMPRE

Com suas colunas internas, o Salada Record, ali no número 719 da Avenida São João, já tem seu nome eternizado na crônica da cidade, embora menos badalado que seu vizinho ilustre - e mais metido a besta - o Bar Brahma, na histórica esquina da Ipiranga com a São João. Perdi a conta de quantas vezes lá me serviram uma comidinha muito honesta. O Salada Record é tradição desde 1958, quando foi fundado. As fotos na parede do seu salão documentam a evolução do estabelecimento. Bom apetite!!

Em se falando dos prazeres da mesa, dentro em pouco prossigo a transcrever aqui a continuação das "Reminiscências culinárias", de Antônio Houaiss.

Um abraço a meus amigos e inimigos.

Gabriel Kwak



Escrito por gabriel às 14h35
[] [envie esta mensagem
] []





A MARAVILHOSA COZINHA DE HOUAISS

Muitos ignoram que o filólogo, dicionarista e enciclopedista Antônio Houaiss era também um gourmet, um exímio culinarista, inclusive, autor de livros de receitas. Num deles, Minhas Receitas Brasileiras (Art Editora, 1990), ensina o leitor a preparar pratos salgados como xinxim de galinha, leitoa pururuca e roupa-velha mineira e sobremesas como pudim de laranja e bom-bocado. Tudo com o toque pessoal e o vocabulário do velho Houaiss. Este livro traz uma introdução de Houaiss intitulada "Reminiscências culinárias", que vale estampar aqui. Eis os primeiros parágrafos destas lembranças gustativas:

"No momento em que solto à aventura de ser ou não ser bem-aceito este meu terceiro - ou quarto - livrinho sobre a arte de comer e beber, vem-me (sem outra motivação mais profunda, creio) a saudade do meu aprendizado gastronômico.

Tudo parece ter-me disposto ao bom prazer da mesa. A partir dos meus cinco anos - aí por 1920 -, os garotos que formávamos - em Copacabana, limites com o Leme - um grupelho de fedelhos, éramos libérrimos (insegurança, violência, sequestros, riscos, medos? - nem eram matéria de cuidados, nossos ou de nossos pais). O grande evento de cada dia era o comestório, entre os cinco e os dez (depois, ampliarei isso para vinte, quarenta, oitenta) anos, era o almoço, então entre as 11-12 horas. Filhos de pequenos comerciantes, artesãos, prestadores de serviços, funcionários (jamais altos!) públicos, profissionais liberais decadentes ou emergentes, éramos um bandinho instável ou variável, de oito a dez cupinchas que - a memória não me trai - reunia uma ONU precoce: havia filhos da italianidade, lusitanidade, espanholidade, cearensidade, belgidade, mineiridade, polacidade, sírio-libanesidade, francesidade, suicidade, judeidade - e que sei mais? Havia e não havia, já que isso era um matiz irrelevante para os que, como nós, tínhamos uma bola (não raro de meia...) ou uma peteca - importantíssima naquele então -, falávamos a mesma língua, e tínhamos o Éden a nossos pés, a praia e a vegetação de restinga de uma área celeste que em certas épocas nos proporcionava as mais saborosas pitangas que jamais foram dadas iguais a outros mortais...Como é fácil recriar dentro de si o mito do Jardim das Hespérides com os seus pomos de ouro...

Hora de comer, havia opções - ir comer com um da grei. Sei que muitos companheirinhos meus se iniciaram em certos aspectos da culinária levantina da minha casa - de sete filhos e três adultos, logo, receptiva para quantos mais aparecessem. Como sei também que desde cedo - respondendo a uma curiosidade universalista que sinto em mim desde então e suspeito tenha sido cultivada graças a tais facilidades ou oportunidades - descobri que o bom mesmo de comer é o bom de todo mundo. Fugi, a partir daí, do maior pecado gastronômico, a saber, a monotonia alimentar - que os homens só praticam em épocas de grandes desgraceiras, como no século XIV, ou de grandes pasmaceiras e incompetências dirigentes, como o Brasil de 1930, progressivamente, para cá."

( CONTINUA...)



Escrito por gabriel às 16h59
[] [envie esta mensagem
] []





DAQUILO QUE EU SEI

Viver é esperar o fim de semana.



Escrito por gabriel às 15h48
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]