SERVINDO BEM, PARA SERVIR SEMPRE
Com suas colunas internas, o Salada Record, ali no número 719 da Avenida São João, já tem seu nome eternizado na crônica da cidade, embora menos badalado que seu vizinho ilustre - e mais metido a besta - o Bar Brahma, na histórica esquina da Ipiranga com a São João. Perdi a conta de quantas vezes lá me serviram uma comidinha muito honesta. O Salada Record é tradição desde 1958, quando foi fundado. As fotos na parede do seu salão documentam a evolução do estabelecimento. Bom apetite!! Em se falando dos prazeres da mesa, dentro em pouco prossigo a transcrever aqui a continuação das "Reminiscências culinárias", de Antônio Houaiss. Um abraço a meus amigos e inimigos. Gabriel Kwak
Escrito por gabriel às 14h35
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A MARAVILHOSA COZINHA DE HOUAISS

Muitos ignoram que o filólogo, dicionarista e enciclopedista Antônio Houaiss era também um gourmet, um exímio culinarista, inclusive, autor de livros de receitas. Num deles, Minhas Receitas Brasileiras (Art Editora, 1990), ensina o leitor a preparar pratos salgados como xinxim de galinha, leitoa pururuca e roupa-velha mineira e sobremesas como pudim de laranja e bom-bocado. Tudo com o toque pessoal e o vocabulário do velho Houaiss. Este livro traz uma introdução de Houaiss intitulada "Reminiscências culinárias", que vale estampar aqui. Eis os primeiros parágrafos destas lembranças gustativas: "No momento em que solto à aventura de ser ou não ser bem-aceito este meu terceiro - ou quarto - livrinho sobre a arte de comer e beber, vem-me (sem outra motivação mais profunda, creio) a saudade do meu aprendizado gastronômico. Tudo parece ter-me disposto ao bom prazer da mesa. A partir dos meus cinco anos - aí por 1920 -, os garotos que formávamos - em Copacabana, limites com o Leme - um grupelho de fedelhos, éramos libérrimos (insegurança, violência, sequestros, riscos, medos? - nem eram matéria de cuidados, nossos ou de nossos pais). O grande evento de cada dia era o comestório, entre os cinco e os dez (depois, ampliarei isso para vinte, quarenta, oitenta) anos, era o almoço, então entre as 11-12 horas. Filhos de pequenos comerciantes, artesãos, prestadores de serviços, funcionários (jamais altos!) públicos, profissionais liberais decadentes ou emergentes, éramos um bandinho instável ou variável, de oito a dez cupinchas que - a memória não me trai - reunia uma ONU precoce: havia filhos da italianidade, lusitanidade, espanholidade, cearensidade, belgidade, mineiridade, polacidade, sírio-libanesidade, francesidade, suicidade, judeidade - e que sei mais? Havia e não havia, já que isso era um matiz irrelevante para os que, como nós, tínhamos uma bola (não raro de meia...) ou uma peteca - importantíssima naquele então -, falávamos a mesma língua, e tínhamos o Éden a nossos pés, a praia e a vegetação de restinga de uma área celeste que em certas épocas nos proporcionava as mais saborosas pitangas que jamais foram dadas iguais a outros mortais...Como é fácil recriar dentro de si o mito do Jardim das Hespérides com os seus pomos de ouro... Hora de comer, havia opções - ir comer com um da grei. Sei que muitos companheirinhos meus se iniciaram em certos aspectos da culinária levantina da minha casa - de sete filhos e três adultos, logo, receptiva para quantos mais aparecessem. Como sei também que desde cedo - respondendo a uma curiosidade universalista que sinto em mim desde então e suspeito tenha sido cultivada graças a tais facilidades ou oportunidades - descobri que o bom mesmo de comer é o bom de todo mundo. Fugi, a partir daí, do maior pecado gastronômico, a saber, a monotonia alimentar - que os homens só praticam em épocas de grandes desgraceiras, como no século XIV, ou de grandes pasmaceiras e incompetências dirigentes, como o Brasil de 1930, progressivamente, para cá." ( CONTINUA...)
Escrito por gabriel às 16h59
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DAQUILO QUE EU SEI
Viver é esperar o fim de semana.
Escrito por gabriel às 15h48
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