171
Fui regularizar a minha situação no cartório eleitoral. No código deles o número destinado à profissão de jornalista é 171. Sem mais. * * * Das coisas boas da vida é o tal Canal Viva. Veicularam em seguida três das minhas novelas mais memoráveis pra mim: Vale Tudo, Roque Santeiro e Que Rei Sou Eu? (em exibição).
Escrito por gabriel às 11h17
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DOIS BORRIFOS
E EU COM OS NEOLIBERAIS? Não creio na livre iniciativa, no laisser faire, laisser passer, porque isso requer confiança nos outros, em terceiros... GINÁSTICA MENTAL Sabem que até que descascar camarões não é uma tarefa tão penosa? Distrai a cabeça. Quase um passatempo.
Escrito por gabriel às 19h47
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O BATISMO DA "DIVINA COMÉDIA"
Gabriel Kwak Originalmente, o clássico "A Divina Comédia" intitulava-se Commoedia. Isso até 1.500 aproximadamente. Dante Alighieri gostava de batizá-la de Incipit Commoedia Dantis Alighieri fiorentini natione non moribus (ou seja, florentino de nascimento, não pelos costumes). Dante foi banido e na narrativa da sua jornada procurou desancar, espicaçar a sociedade florentina que o proscreveu e o castigou. Com o tempo, os cantos da "Comédia" foram sendo divulgados e ganharam fama. Em 1373, os florentinos apelam ao Prior das Artes e ao Gonfaloneiro da cidade para que a obra fosse censurada e que fosse expurgada dos 14 mil decassílabos as referências maldosas a Florença. Para que pudessem dar cabo da tarefa, encomendou-se a Giovanni Bocaccio, um erudito incensado de então, a leitura da obra que eles chamavam de "O Dante". Os governantes florentinos confiaram-lhe uma série de preleções sobre os cantos dessa vetusta obra dantesca. Bocaccio foi autor de outro clássico imperecível da literatura universal: Decamerão. "E foi Bocaccio, dos primeiros ardorosos intérpretes e divulgadores do poema, quem lhe alterou o nome. Entendendo-o imensurável pelo nível artístico, pelo tema, pela ambientação, pela atualidade e o endereçamento certo à imortalidade, carimbou-o com o adjetivo que lhe pareceu mais cabível, Divina, Divina Comédia. A primeira edição veneziana, de Giolito, impressa em 1555, traz esse título. E assim ficou sendo", esclarece Hernâni Donato (NA FOTO), erudito de primeira água, que traduziu, prefaciou e anotou a "Divina Comédia" para as editoras Cultrix, Abril Cultural e Nova Cultural. 
Escrito por gabriel às 14h00
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MAIS RESPEITO AO MEU PALADAR!!!
Quem disse que comida por kg ou por autosserviço é sinônimo de comida preparada sem carinho, com desleixo, mal organizada? Às vezes, penso seriamente em pedir meu dinheiro de volta...Difícil de engolir...isso me desagrada tanto quanto quando me impingem bebida batizada em certos estabelecimentos...
Escrito por gabriel às 16h42
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CADÊNCIA
Perquiro o pentâmetro jâmbico. Hei de dominar o metro decassílabo.
Escrito por gabriel às 19h12
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PRECONCEITOS ALIMENTARES NÂO SÃO COMIGO!!

Menu, almoço (05/04/2012). Barriga de porco. O sabor espantou positivamente meu paladar. Ah, os chineses e suas receitas...
Escrito por gabriel às 16h18
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SERÁ MUITO PRAS MINHAS MENINGES?

Gabriel Kwak Com o máximo respeito à destreza verbal, à perícia linguística de um Haroldo de Campos (foto), transcriador e multimídia, pergunto a mim mesmo: será que o Brasil está preparado para tudo isso? Para essa poética, essa engenhosidade vocabular? Estaria eu próprio aparelhado para um e.e. cummings, um Mallarmé, um Pound, um Joyce?
Escrito por gabriel às 16h56
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NA ANTIGUIDADE, OS COMENSAIS SE REUNIAM NO SIMPÓSIO OU NO BANQUETE?
Fabio Lucas, entre mim e Djalma Allegro 
Este imenso crítico literário que é Fabio Lucas me conta que fez intervenção durante sessão da Academia Paulista de Letras, da qual faz parte, assinalando a infelicidade do título "O Banquete", da obra de Platão. A tradução acertada do título seria Simpósio, para denominar a reunião dos filósofos participando da libação, em que se serviam de um vinho aguado. "Era um vinho levemente alcoolizado, só para estimular a mente. Não se comia. Não tinha banco, era o triclínio, um móvel em que cabia três pessoas", salienta Fabio Lucas. Nesse triclínio, ficava o filósofo e seus mancebos, que discutiam questões filosóficas. Os filósofos orientavam esses jovens, os mancebos, inclusive, ministrando-lhes a iniciação sexual. "Eles não ficavam bêbados, se não eles não conseguiriam discutir. Banquete é um banco menor, é uma palavra francesa, que também tem em inglês", lembra Fabio. O inapropriado título "Banquete" se deve à tradução feita do francês. Fabio fez esse esclarecimento durante a reunião da APL, porque outro acadêmico, Hernâni Donato, exibiu três volumes com traduções de Platão feitas por Carlos Alberto Nunes, inclusive, contendo "O Banquete", que motivou essa discussão. O bispo da Arquidiocese de Santo Amaro, Dom Fernando Antônio Figueiredo, também acadêmico e especialista em literatura greco-romana, endossou as observações de Fabio, acrescentando que pósion (de "Simpósio") significa justamente beber.
Escrito por gabriel às 01h45
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A continuação dos trechos dos depoimentos de JOSÉ LURTZ SABIÁ. Lembrando que o slogan da campanha de Sabiá a deputado federal era "Ajude um Sabiá a voar pra Brasília." Eu conversei com o ex-deputado Amaral Gurgel e ele também combateu muito essa verba pessoal... SABIÁ – Mas o Amaral Gurgel formou comigo, por incrível que pareça, ele sendo adhemarista de origem, lá de Araraquara, nós nos entendemos, mas existia um pouco de distância porque ele era governista na época do Adhemar, logicamente, e a luta que eu travei no caso foi muito mais objetiva porque eu vendo a impossibilidade de modificar aquelas posições sobre verba pessoal, sobre privilégios, sobre funcionários públicos – eu jamais nomeei alguém, jamais comissionei alguém em gabinete, jamais usei a verba pessoal – parti, então, para uma alternativa que fui buscar no 4.777, que era exatamente o trabalho do que foi secretário do Governo...Hely Lopes Meirelles, jurista, que eu fui, então, através do instrumento da ação popular que impetrei. Foi aí então uma grande caminhada em que eu já vinha da Câmara Municipal também. Na Câmara Municipal, existia uma quadrilha e essa quadrilha...havia conivência do governo, da Prefeitura, o Adhemar, que foi prefeito...chefiava esse grupo, que era um grupo perigoso, o William Salem. Então, os projetos imorais foram aprovados e, então, nós conseguimos entrar com uma série de medidas judiciais nesse caso. A nível estadual, sim, impetrei uma ação e foi julgada procedente. Aliás, foi um brilhante que prolatou a sentença, foi uma figura que eu conheci ainda no pleito de 54, ele era juiz concursado e assumia a primeira instância, estava a serviço do Tribunal Regional Eleitoral e depois se transformou em presidente do Tribunal de Justiça do Estado, que foi Odir Porto Pinto. Então, essa ação popular teve uma repercussão impressionante a nível nacional, porque a revista “O Cruzeiro”, que era uma famosa revista, publicou em três, quatro páginas, manchete, e isso teve uma repercussão e nós fulminamos a verba pessoal, na madrugada de agosto parece de 65, ela foi retirada do Orçamento. E então foi neste caminho que eu abri a perspectiva de não tendo possibilidade de constituir maioria na Assembléia para aprovar e modificar esse comportamento e mudança de estrutura, então aí eu parti. Ao passo que o meu colega José Alfredo do Amaral Gurgel começou...foi à CGI, fez uma representação contra a Assembléia na CGI. Ora, se o Poder Legislativo estava emasculado com o golpe de 64, estaria ele atirando pedra em si próprio, porque ele pertencia ao Poder Legislativo de São Paulo. À medida que ele recorria a um órgão criado por esse processo, evidentemente estava desfigurando a atuação dele. Então, foi aí que embora talvez eu fosse um dos mais próximos amigos dele, eu almoçava constantemente com ele, mas nós seguíamos caminhos não propriamente opostos, mas na minha linha. E na luta que travávamos na Assembléia, logicamente ele estava junto comigo e o João Batista Botelho, que era um cidadão que foi prefeito de Araçatuba. Então, nos constituímos numa Casa de 115 deputados, apenas três formavam uma frente de obstrução. Havia, então, uma grande diferença. Eu, então, centralizei toda a minha luta no Poder Judiciário. Ganhamos todas as ações e ainda existe hoje em julgamento, já em segunda instância, uma ação popular contra a Câmara Municipal para derrubar monstruosos privilégios e vai fazer agora 20 anos que a ação está correndo ainda. Mas eu fiz mais. Eu, tomando conhecimento que a Câmara Federal havia aprovado um decreto legislativo imoral em 1966, 1965, que estabelecia correção monetária sobre os subsídios dos parlamentares do presidente e do vice-presidente da República. E para trancar a ação, quando veio a Constituinte de 24 de janeiro de 67...A maioria dos brasileiros não sabe dessa Constituição, porque ela durou tão pouco, veio o contra-golpe de 68, 13 de dezembro, e os brasileiros não sabem dessa Constituição, só quem lida, o advogado... Então o que eles fizeram? O Castello Branco convoca uma Constituinte congressual, de um Congresso emasculado, sem autoridade, sem coisa nenhuma e promulga, no dia 25 de janeiro, não foi 24 de janeiro não, porque a Constituinte foi convocada até 24 de janeiro, mas na madrugada do dia 25 é que eles promulgaram a Constituição. E nessa Constituição, nas Disposições Gerais e Transitórias, eles consagraram uma monstruosidade que a história, amanhã, poderá contar. É que eles aprovaram uma emenda, um inciso nas Disposições Gerais e Transitórias...Eu devo ter. Para o Congresso não ser obrigado, e a ação popular iria ser julgada procedente, porque, é claro, determinados dispostos estabeleciam que a fixação de subsídios era da legislatura anterior para a subseqüente. Portanto, morria aí. Então, veja o seguinte: “Disposições Gerais e Transitórias: Ficam aprovados e excluídos de apreciação judicial os atos praticados pelo Comando Supremo da Revolução de 31 de março de 64, assim como: Os atos do Governo Federal com base nos atos institucionais, nos atos complementares... As resoluções fundamentadas em atos institucionais de Assembléias Legislativas; Os atos de natureza legislativa expedidos com base em atos institucionais” Então, o seguinte: aqui estabelecia no artigo 182 das Disposições Gerais e Transitórias de que ficam aprovados e excluídos de apreciação judicial os atos praticados pelo Comando Supremo da Revolução de 31 de março, os atos do Governo Federal, com base em Atos Institucionais...O que é certo é o seguinte: eles aprovaram exatamente nas Disposições Gerais e Transitórias da Constituição de 24 de janeiro de 67 e excluía de apreciação judicial aquela emenda introduzida que aumentava os subsídios dos parlamentares e, com isso, trancaram a ação. Eu, perdendo os direitos políticos depois de cassado, a ação popular foi interrompida. A atuação que eu tive no exercício do mandato, ela se destinou exclusivamente no combate a privilégios e corrupção e para pregar eu teria que praticar todos esses atos fundamentados numa conduta para não permitir que essa imagem se transformasse na imagem de um demagogo, de um aventureiro, de um espertalhão, então, por isso, eu não recebi pagamento de telefone pela Câmara, não recebi pagamento de hotéis – eu morei num hotel lá até receber um apartamento financiado pela Caixa Econômica Federal – e assim estive cassado na primeira lista do Ato Institucional. Eu que havia constituído cinco Comissões Parlamentares de Inquérito, uma da Previdência Social, outra na indústria das concordatas, outra numa empresa estatal que era a CODEBRAS (Coordenação do Desenvolvimento), e nessas Comissões todas aflorava o processo de corrupção do autoritarismo. E é claro, cassado, eu me confrontei com o ministro da Justiça. Ele tinha um irmão que era estelionatário, que teve cheque sem fundo. Eu consegui apanhar o exemplar do cheque que foi emitido por ele e os nomes eram quase idênticos: tinha o ministro da Justiça que era Luiz Antônio da Gama e Silva e o irmão dele, que praticava essas falcatruas, era Luiz Gonzaga da Gama e Silva. Esse cheque era um cheque sacado contra a agência do Banco Novo Mundo, aí na Rua Augusta, o cheque sem fundo de um milhão de cruzeiros naquela época, que ele havia dado num restaurante para pagamento e o cidadão devolveu para ele. A bancada do PTN na Assembléia Legislativa era muito representativa? SABIÁ – Nós éramos minoria, mas tinha alguns elementos capazes, ativos, no começo da bancada. A nossa bancada era PTN-MTR, tinha Paulo Planet Buarque, que depois foi nomeado pelo Faria Lima para o Tribunal de Contas, nós tínhamos um rapaz muito bom, que foi prefeito de Santos, até foi cassado, Esmeraldo Tarquínio Soares de Campos Filho... O Arruda Castanho. SABIÁ – O Arruda Castanho, que já vinha de origem do PDC, Partido Democrata Cristão...mas o Castanho era da UDN, aliás, vinha do PDC e estava integrado na bancada da UDN, enquanto existia o pluripartidarismo. A bancada do PTN-MTR estava circunscrita a sete ou oito deputados. Você tinha Paulo Planet Buarque... Jamil Gadia. SABIÁ – Jamil Gadia era PTN de Campinas. Você tinha Giardini, que era aqui da Capital. Araripe Serpa. SABIÁ – Araripe Serpa era PTN, também era ativo. Mas Araripe Serpa se compôs, não com Adhemar, porque ele foi nomeado diretor-geral da Assembléia, portanto, ele tinha uma função técnica. Depois, eleito deputado, ele licenciou-se logicamente, portanto, estava vinculado a determinados interesses corporativistas da Assembléia, portanto, ele não tinha assim...era um rapaz inteligente, bom tribuno, inegavelmente, mas ele tinha esse comprometimento corporativo da Assembléia, que é isto que matava a Assembléia. Então, você tinha o Araripe Serpa, que ainda está vivo. Tinha um outro elemento que era o Roberto Cardoso Alves, que vinha originariamente do PDC, Partido Democrata Cristão. Eu fui para Brasília e aí foi o grande desencanto. Chegando lá, eu imaginava que ia encontrar 419 deputados, meus colegas, representando o Brasil e trazendo a problemática do Brasil e dos brasileiros para direcioná-la ao encaminhamento de determinadas medidas imperativas e soluções que, se não fossem a curto e médio prazo, fossem a longo prazo. Mas quando eu cheguei em Brasília, eu tive um desencanto grande. Eu me hospedei no Hotel Nacional, eu chegava lá dia 1º de fevereiro na abertura dos trabalhos e eu imaginava encontrar esse ambiente. Eu cheguei lá com a imagem muito deformada, porque eu havia ingressado com essas ações populares contra o Congresso, o presidente e o vice-presidente da República. Eu não ouvi nada a não ser alguns dizendo: “Olha, fulano, você sabe, a Câmara vai pagar estadia no hotel, a Caixa Econômica vai financiar automóvel, não sei mas o quê, isso e aquilo” o negócio pairava sobre interesses individuais. E o país? E os problemas brasileiros? Então eu fui para o hotel e me senti isolado.
Escrito por gabriel às 23h41
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PRESENÇA DE WILSON GREY (1923-1993), O COADJUVANTE PREFERIDO, QUASE ONIPRESENTE

Às vésperas de completar setenta anos, uma sucessão de infartos, seguida de parada cardíaca, provocou a morte do ator carioca Wilson Chaves, que com o nome artístico de Wilson Grey levou consigo um recorde difícil de ser batido no cinema mundial: atuou em mais de 250 filmes. Com uma carreira que se iniciou em 1948 com "Hóspede da Noite", Wilson se orgulhava de seu curriculum e de ter feito todos os papéis possíveis no cinema, "menos o de galã, pois jamais beijei a mocinha". Aparecendo em comédias, chanchadas, dramas, musicais, terror ou qualquer gênero, foi garçom, camelô, barbeiro, cientista, capanga, vampiro, caubói, motorista de praça, em todos os papéis usando seu tipo físico de típico malandro carioca dos anos quarenta, cabelos gomalinados, camisas escuras e sapatos bicolores. Com isto ganhou todos os prêmios instituídos pelo cinema brasileiro, mas só veio a fazer papel principal em "O Segredo da Múmia", de Ivan Cardoso, que lhe valeu o Prêmio de Melhor Ator do Festival de Brasília de 1990, já no final de sua carreira. Costumava dizer que o papel que fez em "Vai Trabalhar Vagabundo", era "vagamente autobiográfico". Os últimos filmes da extensa relação de seu curriculum proporcionaram uma ascensão artística sensível em relação aos seus primeiros anos. Exemplo disto são "Memórias do Cárcere", "O Beijo da Mulher Aranha" (ambos de 84), "A Ópera do Malandro" (85), "Baixo Gávea" (86), "Brás Cubas" (86) e "Banana Split" (87), além do já citado "O Segredo da Múmia". Fonte: 1.000 que fizeram 100 anos de Cinema - IstoÉ /The Times, Editora Três
Escrito por gabriel às 13h12
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OS VOOS DE SABIÁ
Sirvo a vocês hoje mais um naco de história contemporânea brasileira. Encaixo aqui parte de depoimentos que me prestou JOSÉ LURTZ SABIÁ no idos de 2.003. O folclórico e combativo cearense, com sua lendária gravata borboleta, se fez vereador por São Paulo (1960), deputado estadual por São Paulo (1963-1967) e deputado federal (1967-1968). Ele amargou a cassação do seu mandato em 1968 por força do nefando Ato Institucional n. 5. Neste depoimento a mim, o "espadachim" Sabiá recupera e revive alguma das lutas em que s eenfiou nestes turbulentos anos 60. Fico devendo, condo, um registro fotográfico do ex-deputado...não o disponho no meu arquivo, nem sei quem o tenha...Confiram: Nós podemos começar falando um pouco dos seus pais e da sua infância? SABIÁ – Eu sou o 16º filho de uma família cearense, do Sul do estado do Ceará, terra do Padre Cícero Romão Batista e migrei para São Paulo com 16 anos de idade. Essa irmandade espalhou-se pelo país, inclusive para o exterior também, e jamais conseguimos reuni-los todos. Eram 13 homens e três mulheres. Hoje, somos 10 homens vivos. Tem um que é sacerdote, que foi superior geral da ordem sionista, viveu 10 anos no Canadá, três ou quatro anos na Inglaterra, na França, 12 anos, e 20 e poucos anos em Jerusalém. Nos localizamos aqui com a média de oito irmãos, cada um exercendo sua atividade. Tivemos um que foi ganhador de uma medalha “Barítonos do Municipal” em São Paulo, ganhou uma medalha do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, e teve uma posição marcante no campo da música erudita, de óperas que se realizavam no Teatro Municipal. Particularmente eu, que tive uma carreira política fulminante, vereador suplente em 60, deputado estadual em 62, deputado federal em 66 e não terminei nenhum mandato, porque era suplente, renunciei para assumir a deputação estadual; assumindo a deputação estadual, renunciei para assumir a Câmara Federal e fui cassado pelo Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro, cassado pelos corruptos marcantes da época, inclusive o ministro da Justiça, que eu havia denunciado por uma série de falcatruas; e dei prosseguimento à vida. Mas tive sempre ligações afetivas de amizade, não de subserviência, com o Jânio. Jânio começou sua vida política em São Paulo como vereador, depois eleito deputado estadual, depois prefeito na revolução de 22 de março de 1953, foi governador do Estado, deputado federal pelo Paraná, elegeu Carvalho Pinto governador, foi eleito presidente da República, renunciou ao mandato e veio para São Paulo para disputar a governança do Estado, perdeu por poucos votos para o Adhemar. Esse era o quadro mais ou menos da política da época. O sr. chegou a fazer parte do PRP. O sr. teve alguma afinidade com o Plínio Salgado? SABIÁ – Aí, então, é um problema também afetivo. O meu avô era integralista, embora ficando no interior do Estado. Meu pai também. E logicamente, garoto de sete anos, ia assistir àquelas reuniões políticas do integralismo. O Ceará tinha algumas figuras marcantes do integralismo, tinha inclusive D. Hélder Câmara, que era uma figura brilhante; um grande tribuno que o Brasil pouco conheceu que foi Gustavo Barroso, além de outras grandes figuras, portanto, a intelectualidade brasileira em larga escala estava vinculada à Ação Integralista. Vindo para São Paulo, logicamente o PRP, que era a antiga Ação Integralista tinha um núcleo de pessoas e eu me aproximei desse pessoal por uma série de razões e até participei, não como membro de Diretório, mas como filiação. A minha primeira candidatura foi exatamente a vereador pelo PRP. Na seqüência, o Jânio embora não sendo um homem de partido, estava mais ligado ao Partido Trabalhista Nacional e ao Partido Socialista Brasileiro, que, na época, era chefiado, o PSB, pelo Alípio Correia Netto, que era um grande médico, grande figura; e o PTN, pelo Emílio Carlos, que foi um grande tribuno que São Paulo conheceu, morreu moço. E como eu estava muito vinculado ao Jânio e às bases principalmente, e eu que vinha de um programa de TV, de aperfeiçoamento, que era na Tupi, era um programa do Homero Silva - que era locutor na época e apresentador - e nós juntos aperfeiçoamos a existência de um “Grêmio Juvenil Tupi”, que tinha a finalidade de preparar talento para a carreira artística e logicamente tinha a sua coloração política também. Então, com esses contatos de rádio, depois, conhecimento de televisão e aproximação com o Jânio, então eu me afastei do PRP, mesmo porque eu tinha uma idéia avançada sobre a problemática brasileira e considerava que o Plínio Salgado...tanto é verdade que quando eu cheguei em Brasília, ele foi uma decepção, porque eu imaginava ele como um intelectual, escritor, figura brilhante que poderia dar uma grande contribuição - como liderou uma grande facção de brasileiros que se opunha, de um lado, à esquerda, que era comandada entre integralistas e comunistas, o Getúlio usou até essa briga, esse confronto entre integralistas e comunistas, para dar o golpe de 37 -, de maneira que, para mim, o Plínio foi realmente uma grande decepção, porque acredito superado pelo próprio tempo, não deu a contribuição que ele, que tinha liderança, poderia ter empunhado. Então, a minha passagem pelo PRP se deu rápida, mas, ligado, ao grupo político do Jânio, porque o Jânio não tinha partido, aí, então, eu fui candidato já a deputado, em 62, pela coligação PTN-MTR. Por que PTN-MTR? Porque eu conheci um gaúcho chamado Fernando Ferrari, uma grande figura brasileira, que marcou como legislador a extensão da legislação trabalhista ao homem do campo, isto é, o Estatuto do Trabalhador Rural. E eu me aproximei, quer dizer, nos aproximamos, eu fiz a campanha para a presidência da República do Jânio e a campanha do Fernando Ferrari para a vice-presidente. E abracei realmente junto com ele a caminhada do Fernando Ferrari na formação do MTR (Movimento Trabalhista Renovador), daí ocorreu uma afinidade muito grande, porque eu entendia que o Milton Campos como candidato a vice-presidente da República era uma grande figura, inegável figura, governador de Minas de grande expressão, ligado à UDN, com todas as suas características, eu entendia que Fernando Ferrari teria muitos mais possibilidades de realizar um grande governo, ao lado evidentemente do Jânio, porque eu sabia da eleição do Jânio, e aí então a vinculação minha se fez presente nessa coligação PTN-MTR, que estava logicamente mais vinculada à campanha do Jânio, naquela época, para a presidência da República e vice-presidência, no caso, Fernando Ferrari. Então, essa passagem política minha assim se deu com a eleição de deputado estadual, Jânio não foi eleito governador do estado – foi eleito o Adhemar – e eu fui logicamente para a Oposição. Só que eu tinha uma conduta política altiva, agressiva, independente, eu não me subordinava a interesses, porque a minha carreira política...Eu nem tinha idéia, quer dizer...Você projetou a sua carreira política? Não. Eu entendia logicamente que um cidadão que sai de uma cidade como Juazeiro do Ceará, que chega em São Paulo, que passa fome, come uma vez por dia, porque não podia comer duas – São Paulo, naquela época, tinha três milhões e 600 mil habitantes, é lógico que São Paulo oferecia possibilidade de você construir alguma coisa. Então, eu, sonhador, idealista, puro na acepção da palavra, vendo os contrastes desse país, nascido no sertão calcinado do Nordeste, onde as estruturas eram escravocratas, que dominavam - e continua, infelizmente, depois de longos anos ainda, a dominação, menos presente e evidente -, é lógico que com toda essa experiência a gente tinha não propriamente uma missão, mas vontade de se dedicar, e foi aí que saí de uma eleição – uma história muito rápida de 2.800 votos, vereador; para 9.000 votos, deputado estadual; 48.000 votos, deputado federal, sem investir um centavo. Então, foi uma corrida fantástica inegavelmente e foi construída uma imagem porque infelizmente o país não tinha – e não tem – estruturas políticas, escola política, girava sempre – e ainda gira hoje, quase com pequenas modificações - em torno de homens. Então, a política que nós tínhamos, naquela época, era em torno de homens. Você tinha, aqui em São Paulo, o Adhemar, que vinha de uma liderança antiga, e surgiu o Jânio, avassalador, idealista, puro, até evidentemente a renúncia à presidência da República e a eleição de governador. Depois, é claro, que o homem se amolda a outras realidades. E é lógico que, dentro desse quadro, eu tinha que me comportar, porque não tinha como romper com os grilhões partidários, porque os partidos eram siglas, eram partidos cartorários. Não existiam nem Diretórios partidários naquela época, distritais. Eu vendo tudo isso, acompanhando a experiência antiga, pago na própria pele, porque eu fui um dos poucos cassados que, embora fustigando o governo, promovendo cinco Comissões Parlamentares de Inquérito, naquela época; na Assembléia Legislativa de São Paulo, eu promovi uma limpeza, acabei com verba pessoal dos deputados, que era uma monstruosidade – está nos “Anais” da Assembléia e da História...
(Continua...)
Escrito por gabriel às 17h15
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AS FELICITAÇÕES DE UM LÍRICO DE AMPARO
Não é todo dia que se recebe encômios de um estilista da palavra como Marcelo Henrique de Souza (que se assina literariamente apenas Marcelo Henrique). Membro da Academia Amparense de Letras, é um dos trovadores da região de Campinas que não me canso de festejar urbi et orbi. Por ocasião do lançamento do meu livro O Trevo e a Vassoura: os Destinos de Jânio Quadros e Adhemar de Barros, o amigo Marcelo teve a amabilidade de me endereçar umas linhas lisongeiras, uns bons anos atrás. Encaixo-as aqui, até para relembrar o conceito que da minha obr faz um também biógrafo feliz de Jânio Quadros (ainda que do ocaso do folclórico ex-presidente...): Meu caro e prezadíssimo Gabriel Kwak:- Felicito-o pelo lançamento, na próxima segunda-feira, dia 25, do seu primoroso livro intitulado "O trevo e a vassoura". Houvesse você tido tempo de conhecer mestre Jânio e, fatalmente, tornar-se-ía o melhor e mais completo de seus biógrafos - se bem que, por outro lado, a distância decorrente do não-convívio pessoal o favorece, enquanto escritor. Creia-me! Não poderei, infelizmente, estar em São Paulo para, pessoalmente, aplaudir a força do verdadeiro talento, que você representa e incorpora. Agradeço-lhe, muitíssimo, amigo Gabriel, pela gentileza do envio do exemplar. Hei de, muito em breve, colher seu autógrafo nele. Grato pela citação de meu nome, bem como de meu amigo Dédes, em seu livro, além de alguns pormenores relacionados a uma das visitas. Pena que o nome de meu livro saiu errado. O correto é "Cantares de Amor e Maldição"... hehehehe. Evidentemente que isso não tem importância alguma! Outra coisa: você dá a entender, meu caro, que dr. Jânio teria viajado para a Inglaterra para acompanhar a formatura do neto em 1990, antes mesmo de eu visitá-lo. Salvo engano de minha parte, tal viagem só veio a ocorrer em 1991, quando o velho Jânio já se encontrava entrevado numa cadeira de rodas. Lembra-se daquele tristíssimo episódio em que Jânio e Tutu foram barrados no aeroporto? Pois é... Também diverti-me muito com a citação, creio que na página 213, do famosíssimo restaurante paulistano La Casserole. Ele - o restaurante - foi fundado pelo lendário maestro Georges Henry (regente da famosa Orquestra da extinta TV Tupi), atualmente residente em Amparo e, com a graça de Deus, meu querido amigo. Com o tempo, o maestro deixou a administração do restaurante a cargo de um seu irmão, que faleceu há pouco tempo. Com isso, Georges Henry viaja duas vezes por semana, indo a São Paulo para auxiliar, pessoalmente, sua sobrinha no desenvolvimento de alguns projetos diretamente ligados ao restaurante La Casserole. Com relação a Adhemar, embora eu não tenha lido tudo ainda, faltou, talvez, citar aquele engraçadíssimo episódio envolvendo o crítico Agripino Griecco, quando, num banquete oferecido pelo governador, Agripino deixou sobre a mesa, num guardanapo, a seguinte quadra, referindo-se a Adhemar e aos seus dois auxiliares, responsáveis, tanto quanto se deduz, pelo Caixa 2 (a "Caixinha do Adhemar"): Quando os três, juntos, avisto, sinto enormes aflições: vejo um Calvário sem Cristo - Calvário de três ladrões! Lindo o seu prefácio. Contudo, em que pese você escrever muitíssimo bem e ser, realmente, de longe, a pessoa que melhor conhece sua própria obra, achei corajoso de sua parte prefaciá-la tendo, nas "orelhas" do livro, um texto magnífico como o de Fernando Jorge que, sem favor algum, lhe teria servido de prefácio. Não acha? Em suma, desculpe-me pela liberdade dos comentários. Penso que nossa juventude nos faculte isso... não? Abraça-o, fraternalmente, o Marcelo Henrique
Escrito por gabriel às 08h51
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QUEM VAI CUIDAR DO LOJINHA? HAJA BABAGANUCHE!!!
Será futuro prefeito de São Paulo Haddad, Chalita ou talvez Afif? Só falta agora o Nagib, o Rachid, o Assad, o Rizkallah, o Fadul e o Abdallah? Paulo Salim Maluf não viria a calhar também, no lugar de Kassab?
Escrito por gabriel às 18h51
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PAIS DA PÁTRIA

Gosto muito dessa foto - curioso flagrante. Eles simbolizam a história do Brasil no século XX. Juntos, somam uns mil anos (haha). da esquerda pra direita, Evandro Lins e Silva, Oscar Niemeyer, Barbosa Lima Sobrinho e José Aparecido de Oliveira. Conheci Niemeyer e, um pouco mais estreitamente, Zé Aparecido.
Escrito por gabriel às 21h13
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REMOVEDOR
"Delir" é muito mais bonito do que o modernoso "deletar" (este já dicionarizado). Delir, no sentido de apagar, existia no português arcaico. O verbo é oriundo de delere, da segunda conjugação do latim (ere). Lembrando que todos os verbos da segunda conjugação são paroxítonas. 
Escrito por gabriel às 20h11
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