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Senador manda brasa
 


DECISÕES GOELA ABAIXO

De todo esse desaguadouro impressionante de descontentamento acumulativo, fica uma lição, um recado fulminante, sentencioso: estamos cansados das decisões de cima pra baixo, das deliberações das classes dirigentes tomadas sem consultar a sociedade civil. Mas de todas as bárbaries contra a qual se bateram pra mim a mais revoltante são os criminosos 0,04% do PIB investidos em pesquisa científica. O sempre perspicaz Elio Gaspari, na sua imperdível coluna de 19 último, repercutiu uma informação de que eu desconhecia: a repórter Fernanda Odilla revelou que o Itamaraty achou pequena a suíte de 81 metros quadrados do hotel Beverlly Hills, de Durban, na África do Sul, e hospedou a "presidenta" no Hilton. Informa , ainda, Elio que por determinação do Planalto informações como essa tornaram-se reservadas e doravante só serão divulgadas em 2.015 (!). VERGONHA!!!



Escrito por gabriel às 12h31
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ALGUÉM NA MULTIDÃO

Saibam alguns que estão na capa do disco"Sgt Peppers", lançado pelos Beatles em 1967:

-Aleister Crowley

-Mae West

-Marilyn Monroe

-O Gordo e o Magro

-Lewis Carroll

-Marlon Brando

-Bernard Shaw

-Bob Dylan

-Carl Gustav Jung

-Marlene Dietrich

-Albert Einstein

-Dylan Thomas

-William Burroughs

-Tony Curtis

-H.G. Wells

-Aldous Huxley

-Fred Astaire

-Stuart Sutcliffe

-Tyrone Power

-Oscar Wilde

-Huntz Hall

-Terry Southern

-Shirley Temple

-Johnny Weissmuller



Escrito por gabriel às 17h52
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PALÍNDROMOS PRA QUE TE QUERO

Oto come mocotó Roma me tem amor Socorram subi no ônibus em Marrocos



Escrito por gabriel às 20h21
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SAUDADES LEGÍTIMAS

Quanto mais eu leio textos antigos meus, mais sinto saudades do criador que eu era. Sempre se perde um pouco do viço...



Escrito por gabriel às 09h23
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THEATRUM MEMORIAE

 

 

Cata-se papel velho. Eis a obsessão do pesquisador que não tem medo de comer poeira: livros, revistas, jornais, periódicos, reclames publicitários, teses universitárias, diários, cartas, cartões postais, discursos, folhetos, prospectos, panfletos, boletins, cartazes, leis, decretos, circulares, autos judiciais, fotos de época, gravações, notas taquigráficas e outras transcrições, depoimentos, entrevistas, receitas culinárias, anais legislativos, letras de música, envelopes, bulas de remédio, receitas médicas, mapas, ex-libris, marginálias de livros, objetos, ilustrações, gravuras etc. Toda essa maçaroca é a matéria prima do historiador, seu instrumento de trabalho. Documentação e fontes primárias e secundárias que fazem a delícia do historiador, do arquivista, do bibliófilo, do escafandrista do passado, um acumulador por natureza.Que seria deles sem estas velharias adoráveis?


 



Escrito por gabriel às 00h48
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UMA BELA CAPA DE UM LIVRO DE 1954!!!

A graciosa capa (assinada por Augustus) do livro Vida de Grandes Pintores do Brasil, do meu amigo e guru Fernando Jorge. Um livro nada fácil de se encontrar na praça.



Escrito por gabriel às 20h17
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DÉCIO PIGNATARI E O IMPLEMENTO DA COMUNICAÇÃO EFICAZ

Gabriel Kwak

Um dos luminares da comunicação visual, Décio Pignatari, falecido a dezembro último, desdobrou-se em muitos ângulos: poeta, ensaísta, ficcionista, semiólogo, publicitário, tradutor,dramaturgo, teórico da arte, jornalista, crítico de TV, professor, memorialista, ator bissexto. Fundador da poesia concreta, influenciou sobremaneira a Arquitetura, o Design e as Artes Gráficas.

Tendo Oswald de Andrade como santo do seu altar, os concretos se contrapunham ao que alguns deles chamavam de “nerudismo”, uma praga a ser combatida. Décio, igualmente, não flertava com o sentimental em poesia. Os que não se afeiçoavam ao projeto verbivocovisual dos três mosqueteiros do concretismo deveriam simpatizar com o trecho da música “Você abusou”, de Antonio Carlos e Jocafi: “[E me perdoe] se o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos, que não usam o coração como expressão...” A poesia subjetiva era a bête noire do trio que, em 1974, traduziu Mallarmé (Décio chamou a empreitada de “tridução”, ou seja, tradução em triálogo).

Sempre com as garras afiadas para o debate, o cortante Décio nunca se furtou de terçar armas com os que amaldiçoavam a poesia esquemática, semiótica, não verbal do grupo concreto. A poesia concreta é mais design gráfico do que poesia, para o meu gosto. Forma e conteúdo não se separam. A ênfase recai no SIGNIFICANTE em detrimento do SIGNIFICADO. Muita dessa atitude tinha de um vanguardismo formalista empobrecedor.

Décio Pignatari era um teórico da poesia, um teórico da comunicação. Influenciou músicos populares de vanguarda como Caetano e Gil, pautou os estruturalistas, estudou meticulosamente o processo de formação de signos, pictografias, ilustrações, campanhas publicitárias. Criou a expressão “geléia geral” e consentiu que seus textos fossem musicalizados e gravados por consagrados nomes da nossa música, como Gilberto Mendes. Bateu-se, como os Campos, pela redescoberta de Sousândrade (1832-1902).

Mas, com o máximo respeito à destreza verbal, à perícia linguística de um Haroldo de Campos, transcriador e multimídia, pergunto a mim mesmo: será que o Brasil está preparado para tudo isso? Para essa poética, essa engenhosidade vocabular? Estaria eu próprio aparelhado para um e.e.cummings, um Mallarmé, um Pound, um Joyce?

O que sei é que seu livro seminal Informação, Linguagem, Comunicação foi decisivo para que eu tomasse gosto pela Semiótica, disciplina execrada por nove entre dez estudantes de Comunicação. A Teoria da Comunicação passou a ser palmilhada por mim graças a esse inesquecível compêndio.

Sua aproximação com a Semiótica e a Cibernética se iniciou com suas peregrinações pela Europa entre 1954 e 1956. Décio Pignatari criou a primeira cadeira de Teoria da Informação na Guanabara, a Escola Superior de Desenho Industrial, tendo sido seu primeiro professor e organizador do primeiro programa dessa disciplina. Ele mesmo conta: “Ainda em 1964, Luiz Ângelo Pinto e eu publicamos a primeira divulgação sobre a Teoria da Informação, aplicando o levantamento estatístico a textos com o auxílio de um computador eletrônico.”

No já citado Informação, Linguagem, Comunicação, Décio disserta sobre as diferenças entre mensagens de natureza digital e analógica. Faz enxuta explanação sobre as línguas orientais (analógicas) e as ocidentais (digitais). Cuida, ainda, da etimologia visual do canji japonês.

É menos abstrato esclarecer a ordenação de um ideograma, ordenação que é feita por justaposição. Ensina Décio, na página 21: “Em chinês, o ideograma para vermelho é formado pela montagem de quatro ideogramas (rosa, cereja, ferrugem, flamingo) que designam coisas que todo mundo conhece e que têm em comum a cor vermelha.”

Sobre a organização do poema concreto como um ideograma, pronunciou-se José Lino Grunewald: “Apollinaire também percebeu a relevância desse fator preponderante – o ideograma. Dizia que a nossa inteligência precisa habituar-se a pensar sintético-ideograficamente em vez de analítico-discursivamente.”

Para Décio, a redundância dos signos leva à abertura da participação de quem tem um repertório reduzido, um código restrito. Quando o signo faz parte do repértório de uma balconista, por exemplo, ela projeta neles sua experiência. Daí porque o autor nos acena ao dizer que o livro comercial ideal “é o que contèm apenas 10% de novidade”.

No mesmo ensaio, Décio relativiza os rótulos do que é arte chamada de produção e do que é arte de consumo. Décio sempre fez questão de refletir sobre o sistema de produção da arte. Também meditou de maneira aguda sobre a crise da universidade, para ele incapaz de criar e produzir pensamento bruto.

Décio contrapôs a “qualidade europeia” e a “qualidade norte-americana”, ao assinalar que os europeus, já àquela altura (o livro é de 1968), estavam se adaptando às necessidades dos mercados de consumo de massa. Décio aborda, também, o processo das elites levarem cultura às massas e vice-versa. Segundo Décio, nossas elites traduzem mal as informações que impõem às massas (“culturalização das massas” e “massificação da cultura”).

Em Informação, Décio disseca conceitos como “o custo da transmissão dos signos” (Mandelbrot), o “princípio do menor esforço que rege as atividades humanos” (Zipf, que, para Décio, tem tudo a ver com redundância), a “Estétística” de Max Bense, além de tratar dos levantamentos estatísticos de palavras em textos, ou seja, linguística matemática/ análise estatística e informacional de estilos literários (esses estudos são efetuados com o emprego de computadores eletrônicos...) Poucos dominaram tanto a aplicação de critérios estatísticos como Décio. Esses estudos repercutiram enormemente no Desenho Industrial.

Décio também endossa uma tendência captada por Marshall McLuhan de que o “veículo novo artistifica o anterior”.

No tocante ao isolamento de Brasília, Décio também se ocupa do ruído na cadeia de transmissão da mensagem disseminado em Brasília pela precariedade do seu sistema nervoso, ou seja, da comunicação pouco desenvolvida. Reclama, então, o concurso de engenheiros-de-sistemas para o desenvolvimento dos “sistemas nervosos” nos edifícios, núcleos habitacionais e cidades. Para Décio, só se cuidou da “comunicação motofísica, digamos assim (sistema viário).” (p. 74)

Décio lembra, ainda, que o cineasta russo Eisenstein buscou inspiração na composição figurativa do ideograma para suas técnicas de montagem. Veja-se citação de um site que consultei há pouco: “O filme é dividido em cinco partes que se ocupam em provocar uma situação tal de espaço-tempo onde todos os pormenores apresentam um significado a ser apreendido pelo espectador. De forma a transcrever ideias complexas e ideologias profundas, Eisenstein chegou ao uso de técnicas de montagem inspiradas nos ideogramas orientais. Se determinado ideograma significa ‘telhado’ e outro, ‘esposa’, a união dos dois é lida como lar. Desta forma, é o choque entre duas imagens aparentemente díspares que cria o impacto, o sentido a que se quer chegar.”

A conclusão a que chego depois de muito perquirir e aprender com este manual é que o tempo todo o autor parece estar preocupado com a otimização da mensagem, com o rendimento do sistema.

Décio, como seus parceiros Haroldo e Augusto, sempre manobrou o triálogo música-poesia-imagem, mediante instalações, intervenções, animações, videoarte, gravações, oralizações das suas poesias experimentais. Enfim, transcriações intermidiáticas, como eles gostariam de dizer...mas, apesar de todo esse legado e controvérsia suscitadas, o autor do romance Panteros parecia não dar a mínima para o reconhecimento, como decretou em entrevista à Folha de S. Paulo em 2.007: “Eu não quero saber disso, não me importo. Não existe vanguarda majoritária. O signo novo não pode ser majoritário. O novo põe em questão o que foi feito antes.



Escrito por gabriel às 10h55
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O QUE ACONTECE NO CORAÇÂO DO BRITO QUANDO ELE CRUZA A IPIRANGA COM A SÃO JOÃO

Gostaria de copiar aqui a missiva que dirigi a meu colega de Diretoria da UBE, José Domingos Brito, autor da coleçã de livros "Mistérios da Criação Literária", que numa crônica digestiva se despediu do Centro Velho de São Paulo. Brito não reconheceu mais o Centrão que estava na sua memória afetiva. Vejam o que mandei pr'ele:

"Brito, meu condottiere:

Saiba que sua crônica me agradou em cheio!! Estás me saindo um observador fulminante e imperdível!! Deus nos livre desse Quasímodo tamanho familia que é o Minhocão. Mais um pouco você estava na vizinhança repulsiva da UBE. O Largo do Paissandu me agride os olhos. Antipatizo com a Ipiranga com a São João atualmente, também. Na Júlio de Mesquita se salva o irresistível Filet do Moraes, na sua simpaticíssima espessura suculenta. E esses cinemas adultos, então...quando vão nos devolver nosso Centrão velho de guerra?

Sua crônica estabelece imediata comunicação com o leitor. Como bibliotecário você é um excepcional escritor. Tenho acompanhado, curioso, suas compilações e fazimentos literários na sua página.

Mande a crônica para o nosso Djalma, nosso pinguço preferido hahahaha

O Fábio, com quem eu falei, ficou de lê-la amanhã.

Saravá, Brito cabra da peste!! S.O.S. São Paulo!!! Estamos na mão desse Haddad...será que ele vai ser mais do mesmo?"

O reluzente site do Brito intitula-se "Tiro de Letra". Talvez seja o maior repositório de definições sobre o fazer literário produzidas pelos nossos maiores escritores (vivos e mortos), que há anos Brito vem reunindo, com empenho comovedor.

Segue o link da crônica a que me refiro "Memória in São João", sob o pseudônimo de Cícero da Mata: http://www.tirodeletra.com.br/institucional/Memoriain-emgloriadaAv.SaoJoao.htm

José Domingos Brito (dos livros "Por que Escrevo?" e "Como Escrevo?", entre outros da série "Mistérios da Criação Literária")



Escrito por gabriel às 01h26
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POR QUE VER "RATATOUILLE"

 

"Culinária é para mentes criativas, corações fortes (...) Qualquer um pode cozinhar." Chef Gusteau, ídolo do ratinho Remy, fundador e falecido dono do restaurante "Gusteau's", em cuja cozinha a dupla Linguini/Remy fizeram fama


Nunca fui propriamente afeito a animações, mas não consigo entender como até esses dias não havia assistido "Ratatouille" (2.007, Pixar). Eu de rigueur cultivo demais da conta filmes que tenham a alquimia das panelas e a mágica do sabor no seu cerne. Tenho o meu top ten desses filmes. Pois a história do pequeno rato chef Remy já está catalogado entre eles. Ninguém que se realize como pouca vez manuseando temperos, manipulando facas, cortando legumes, testando ingredientes e especiarias vai resistir a "Ratatouille". Pra mim, foi uma experiência sensorial única, digam o que disserem. Ele era o rato que ousava, que não abria mão de surpreender os comensais do restaurante, nem que fosse com a "comida de camponês" com que dobrou o implacável, temido e mal-amado (kk) Ego. O rato não se contentava com o lixo como os outros roedores. Ao fim da experiência inigualável, o impiedoso crítico, absolutamente rendido, regalado, enfeitiçado pela receita, sentencia: "Nem todos podem se tornar grandes artistas, mas grandes artistas, podem vir de qualquer lugar." Poucas vezes dei com uma galeria de personagens mais interessantes. Como é hilário ver o ratinho comandar Linguini pelos cabelos fazendo o garoto se passar por um culinarista "top". Assistiria mais duas vezes essa semana. Tenho dito.

Abaixo a sinopse que li alhures:

Paris. Remy (Patton Oswalt) é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a idéia, além do fato de que, por ser um rato, ele sempre é expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar.



Escrito por gabriel às 23h47
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SONHOS

"Foi uma época estranha e apaixonante. Alguns dos sonhos se dissolveram, agora parecem nulos, mas outros sonhos permanecem e se realizam." (Pensamento de Kevin ao final de um episódio de "Anos Incríveis")


Escrito por gabriel às 22h01
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A AMEAÇA A MIM E AO RESTO

Podem acreditar: o glutamato monossódico ainda vai acabar com a humanidade.



Escrito por gabriel às 16h01
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FAZEM RIR E CHORAR; "ATRIZES QUE CHUTAM COM AS DUAS PERNAS"

Bom, sacudo a poeira por aqui, porque duas coisas me ocorreram.

Admiro fervorosamente artistas que envelhecem com dignidade, sabem envelhecer. Uma das atrizes que tem pontificado na televisão e que é  prova disso é IRENE RAVACHE (foto acima), que vive um dos protagonistas da telenovela das sete "Guerra dos Sexos". Não se nota rastro de intervenção cirúrgica tampouco aplicação de toxina botulínica em Irene. E mais: levando em consideração papéis anteriores, vê-se que Irene funciona no humor. Também me ocorreu que nossas atrizes com mais recursos, mais talentosas sabem fazer sorrir como poucos. Basta ter assistido Fernanda Montenegro no especial de final de ano "Doce de Mãe", exibido semana passada na Globo. Outra atriz que  manda bem no humor é ninguém menos que Adriana Esteves, destaque no ano que passou e de uma geração diferente das duas acima referidas. Basta lembrar suas atuação vivendo, por exemplo, Catarina em "O Cravo e a Rosa", Amelinha Mourão em "Coração de Estudante" e no seriado "Toma Lá, Dá Cá". Fazer humor em teledramaturgia não é pra qualquer um, não. Quem sabe, sabe.

 

 



Escrito por gabriel às 10h41
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O CORAÇÃO LUSÍADA DE RAQUEL NAVEIRA

Gabriel Kwak

Cognominada de “musa de Campo Grande” pela acatada Ely Vieitez Lisboa, a escritora e mestre em Comunicação e Letras, Raquel Naveira, pertence a uma espécie de aristocracia do espírito. Com este seu novo livro Sangue Português: Raízes, formação, lusofonia (São Paulo: Arte & Ciência, 2012), a diretora da UBE passa em revista suas raízes, antigos e consistentes laços que irmanam Brasil e Portugal. Infensa a modismos, Raquel é uma colecionadora de imagens afetivas, o que faz ao nos conduzir pela mão a um passeio pelos fastos históricos de nossa Pátria-mãe. Para tais evocações, Raquel se mostra sempre agarrada a acuradas e seguras pesquisas dos Anais de Portugal. O leitor vai se regalar com o néctar da poesia insinuante de Raquel, ao tanger sua lira evocando Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste...

Guardei os versos poderosos que dedicou ao Castelo da Pena, na Serra de Sintra. Concebido pelo rei consorte D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885), genro de D. Pedro I, trata-se de um ícone arquitetônico do Romantismo. Raquel canta seus mirantes, sua torre de corais e nos endereça à desdita da rainha D. Amélia, mulher do falecido rei Carlos I (assassinado em 1908), que deixou o Palácio e partiu para o exílio, com a derrocada do regime monárquico:

“Castelo da Pena,

Tem pena do meu penar,

Quem poderá me salvar do meu destino?

Nem teus arcos,

Teu relógio avançando séculos,

Nem este colossal Tritão,

Meio peixe,

Meio homem,

Sustentando o mundo

Com a mão.”

De casta equivalente são os notáveis versos de “Mosteiro dos Jerônimos”, concernentes à imponente construção em estilo manuelino, da Ordem de São Jerônimo. Mais uma vez, muito me dizem o estro e o olhar enternecido da viandante Raquel Naveira. In verbis:

“No mosteiro dos Jerônimos

Passei as mãos

Nas pedras,

Nos portais,

Nas pias,

Nas pilastras,

Na poeira dos túmulos

E senti a pólvora,

A poesia de Camões e Pessoa,

A prosa de Alexandre Herculano.

 

Tudo tão pomposo,

Sepultura de reis,

Fios de pérolas

Pelo teto

Em pentagrama

E uma estrela

Na penumbra. [...]”

 

Neta de imigrantes portugueses, Raquel Naveira ainda excele na sua devoção ao patrimônio cultural lusitano ao comandar e orientar rodas de leitura, colóquios e oficinas no tradicional Clube Português, em São Paulo. Ao celebrar personagens da história de Portugal e cultivar o legado de Camões, Bocage e Florbela Espanca, Sangue Português representa uma festa do mundo lusófono, que tranquilamente já exorbitou das oito Nações que abraçaram o português como língua oficial. Ao fim da leitura convidativa, todos nós nos sentimos um pouco mais filhos de Portugal. Tudo, nesse livro da peregrina Raquel Naveira, é interessante. É um diário emocional fascinante que se recomenda ao reconhecimento do leitor.

Na foto abaixo, entre duas autoras: Dirce Lorimier Fernandes e Raquel Naveira

E



Escrito por gabriel às 11h41
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SOBRE A CONSISTÊNCIA DO TOUCINHO

Interessa-me sobremodo experiência antiga sobre a qualidade da consistência do toucinho para conservar e valorizar a carne na forma de presuntos e que tais.

A gordura da alimentação pode passar direto para o toucinho. Disso depende a resistência do toucinho, que por isso pode ter ponto de fusão alto ou ser mais oleoso ou  pastoso.

O toucinho está intercalado e sobreposto à carne de porco. Quanto mais oleosa a gordura do porco, pior aspecto tem sua carne.

A gordura é um composto principalmente constituído por triglicerídeos dos ácidos graxos (oleico, palmitico e esteárico), sendo o primeiro a oleina líquida à temperatura comum (coagulação - 6 graus Celsius), a palmitina (coagula a 62 graus Celsius) e a estearina (71,5 graus Celsius), que são consistentes na temperatura ambiente.

A quantidade de cada um desses três responde pela consistência do toucinho.



Escrito por gabriel às 13h44
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JOURNAL

Mamãe mandou-me castanhas e pistaches. Estou flue. Leio com interesse uma entrevista, material não muito recente, de Maria da Conceição Tavares, um depoimento sobre seu preceptor Octávio Gouveia de Bulhões. Impossível saber o que vestir diante do frio-calor-frio-calor-frio-calor. Fico sabendo, entre outras leituras vadias, que Wittgenstein apareceu pela primeira vez em português do Brasil mercê dos fascículos vendidos em banca no passado pela Abril Cultural. Esquento a água para preparar dois Miojos com sombra de galinha. Alta gastronomia.



Escrito por gabriel às 20h14
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